10 de fevereiro de 2011

Satélite


Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A Lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.
Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados,
Mas tão-somente
Satélite.

Ah, Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Satélite.

3 comentários:

Rodrigo Tomé disse...

Bravo!
Quem diz que um poema não pode ser belo e ao mesmo tempo materialista não conhece Manuel Bandeira, não conhece João Cabral de Melo Neto. Talvez, os poetas mais "honestos" que já tivemos.

Um abraço, Nei!

Nei kS disse...

Falou e disse, Rodrigo.

Abraços!

Eliane F.C.Lima disse...

Nei,
Há quanto tempo a gente não se fala. Só o Bandeira para reunir os amantes... dele! Nesse poema, em que "desmetaforiza" e "desmitifica" a lua - só satélite -, sinto um pouco aquele "só os corpos se entendem", rejeitando a alma, de outro poema.
Abraço forte,
Eliane F.C.Lima (Poema Vivo)