24 de fevereiro de 2011

Ovalle

Jayme Ovalle (1894 - 1955)


Estavas bem mudado.
Como se tivesses posto aquelas barbas brancas
Para entrar com maior decoro a Eternidade.

Nada de nós te interessava agora.
Calavas sereno e grave
Como no fundo foste sempre
Sob as fantasias verbais enormes
Que fazias rir os teus amigos e
Punham bondade no coração dos maus.

O padre orava:
- "O coro de todos os anjos te receba..."
Pensei comigo:
Cantando "Estrela brilhante
Lá do alto-mar!..."

Levamos-te cansado ao teu último endereço.
Vi com prazer
Que um dia afinal seremos vizinhos.
Coversaremos longamente
De sepultura a sepultura
No silêncio das madrugadas
Quando o orvalho pingar sem ruído
E o luar for uma coisa só.

3 comentários:

Vôgaluz Miranda disse...

Alô, Triste!
Sou apenas mais um que te adora.
Tenho um enorme apreço
Pelas tuas palavras,
Sonhos versificados.
Que poesia magnífica!
Eternamente terna.

Alô, poeta MAIOR.
Antes que o trem da esperança chegasse,
O trem de ferro partiu.

Diga lá, Triste.
Em qual estrela resides?
Em qual planeta te escondes?
Sei que depois da Consoada
Voaste direto pra Pasárgada
– Feito uma Cotovia –
Distraído demais.

Manuel,
A rotulagem pagã foi rasgada
Pela dureza do corte da tua arte
O boi morto tísico
Ainda bóia no teu “Capiberibe”
– Capibaribe –
Em tantas enchentes.

Ei, Bandeira!
Eu quero uma ponte que ligue este mundo a Pasárgada
E, quem sabe, ser apenas amigo do amigo do rei.
Deixe-me ler teus poemas
E sonhar...
Pra sempre sonhar...

Até logo, Manuel.
Que Deus te abençoe!

(vogaluz.blogspot.com)

Maíra da Fonseca Ramos disse...

Parou de ataulizar por quê?

Nei kS disse...

Boa pergunta. Mas é só preguiça, na verdade.

Depois desse toque, fim de semana tá ai, a gente bota pra quebrar.

Obrigado!

Bess