11 de janeiro de 2011

Lua Nova

Meu novo quarto
Virado para o nascente:
Meu quarto, de novo a cavaleiro de entrada da barra.

Depois de 10 anos de pátio
Volto a tomar conhecimento da aurora.
Volto a banhar meus olhos no mênstruo incruento das madrugadas.

Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir:
Hei de aprender com ele
A partir de uma vez
- Sem medo,
Sem remorsos,
Sem saudade.

Não pensem que estou aguardando a lua cheia
- Esse sol da demência
Vaga e noctâmbula.
O que eu mais quero,
O de que preciso
É de lua nova.

Rio, agosto de 1953

Um comentário:

Gabriel disse...

Parabéns pela iniciativa, pelo amor e pela honestidade intelectual. Manuel Bandeira vive!