20 de setembro de 2010

Visita Noturna

Bateram à minha porta,

Fui abrir, não vi ninguém.

Seria a alma da morta?


Não vi ninguém, mas alguém

Entrou no quarto deserto

E o quarto logo mudou.

Deitei-me na cama, e perto

Da cama alguém se sentou.


Seria a sombra da morta?

Que morta? A inocência? A infância?

O que concebido, abortou,

O ou que foi e hoje é só distância?


Pois bendita a que voltou!

Três vezes bendita a morta,

Quem quer que ela seja, a morta

Que bateu a minha porta.


Rio, dezembro de 1947

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