26 de setembro de 2010

Jose Cláudio

Da outra vida,

Moreno,

Olha-me de face,

Com o bonito sorriso Pontual

Adoçado pela bondade do nosso avô Costa Ribeiro.

Olha-me de face,

Bem de face,

Com os olhos leais,

Moreno.


Conta-me o que tens visto,

Que músicas ouves agora.

Lembra-te ainda do cheiro dos bangüês de Pernambuco?

Das tuas correrias de menino pelos descampados da Gávea?

Lembras-te ainda da ponte que construíste sobre o Paraguai?

Do pastoril do Cícero?

Lembras-te ainda das pescarias de Cabo Frio?

(Elas te deram não sei que ar salino e veleiro,

Moreno.)


O espanto que nos deixaste!

Como fizeste crescer em nós o mistério augusto da morte!


Todavia,

Não te lamento não:

A vida,

Esta vida,

Carlos já disse,

Não presta.

Mas o vazio de quem

Eras marido e filho?

- Filho único, Moreno.


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