27 de março de 2010

Soneto em Louvor de Augusto Frederico Schimdt

Nos teus poemas de cadencia bíblicas
Recolheste os sons das coisas mais efêmeras:
O vento que enternece as praias desertas,
O desfolhar das rosas cansadas de viver.

As vozes mais longínquas da infância,
Os risos emudecidos das amadas mortas:
Matilde, Esmeralda, a misteriosa Luciana,
E Josefina, complicado ser que é mulher e é também o Brasil.

A tudo que é transitório soubeste
Dar, com a tua grave melancolia,
A densidade do eterno.

Mais de uma vez fizeste aos homens advertências terríveis.
Mas tua gloria maior é ser aquele
Que soube falar a Deus nos ritmos de suas palavras.

10 de setembro de 1940

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