29 de novembro de 2009

A cidade de São Paulo nos anos 30



Em 1931, Manuel Bandeira começa a escrever crônicas semanais para o "Diario Nacional". de São Paulo.

26 de novembro de 2009

Soneto Italiano

Frescura das sereias e do orvalho,
Dos brancos pés dos pequeninos,
Voz das manhas cantando pelos sinos,
Rosa mais alta no mais alto galho:

De quem me valerei, se não me valho
De ti que tens a chave dos destinos
Em que arderam meus sonhos cristalinos
Feitos cinzas que em pranto ao vento espalho?

Também te vi chorar... Também sofreste
A dor de verem secarem pela estrada
As fontes da esperança... E não cedeste!

Antes, pobre, despida e trespassada,
Soubeste dar à vida, em que morreste,
Tudo – à vida, que nunca te deu nada!.

28 de janeiro de 1939

22 de novembro de 2009

Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado! Obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.

1939

17 de novembro de 2009

Cantar de Amor

Quer’eu en maneyra de proençal
Fazer agora um cantar d’ amor…
D. Denis

Mha senhor, com’oje dia son,
Atan cuitad’e sem cor assi!
E par Deus non sei que farei i,
Ca non dormho á mui gran sazon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.

Noit’e dia no meu coraçon
Nulha ren se non a morte vi,
E pois tal coita non mereci,
Moir’eu logo, se Deus mi perdon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.

Des oimas o viver m’é prison:
Grave di’aquel em que naci!
Mha senhor, ai rezade por mi,
Ca perç’o sem e perç’a razon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.

5 de novembro de 2009

Cossante

Ondas da praia onde vos vi,
Olhos verdes sem dó de mim,
Ai Avatlântica!

Ondas da praia onde morais,
Olhos verdes intersexuais.
Ai Avatlântica!

Olhos verdes sem dó de mim,
Olhos verdes de ondas sem fim,
Ai Avatlântica!

Olhos verdes de ondas sem dó
Porque me rompo, exausto e só,
Ai Avatlântica!

Olhos verdes de ondas sem fim,
Por quem jurei de vos possuir
Ai Avatlântica!

Olhos verdes sem lei nem rei
Por quem juro vos esquecer,
Ai Avatlântica!