22 de novembro de 2009

Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado! Obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.

1939

Um comentário:

Eliane F.C.Lima disse...

Querido Nei,
Em Literatura em vida 2, por coincidência, postei o poema Versos de Natal, em um estudo sobre o signo "espelho" na literatura. Como pode perceber, o Bandeira é um de meus prediletos também. Ainda prosseguirei no tema, na próxima postagem. Ali haverá um poema meu.
Há novas postagens em Conto-gotas e Poema vivo.
Eliane F.C.Lima