26 de novembro de 2009

Soneto Italiano

Frescura das sereias e do orvalho,
Dos brancos pés dos pequeninos,
Voz das manhas cantando pelos sinos,
Rosa mais alta no mais alto galho:

De quem me valerei, se não me valho
De ti que tens a chave dos destinos
Em que arderam meus sonhos cristalinos
Feitos cinzas que em pranto ao vento espalho?

Também te vi chorar... Também sofreste
A dor de verem secarem pela estrada
As fontes da esperança... E não cedeste!

Antes, pobre, despida e trespassada,
Soubeste dar à vida, em que morreste,
Tudo – à vida, que nunca te deu nada!.

28 de janeiro de 1939

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