1 de abril de 2009

NOTURNO DA MOSELA

A noite... O silêncio...
Se fosse só o silêncio!
Mas esta queda d'água que não pára! que não pára!
Não é de dentro de mim que ela flui sem piedade?...
A minha vida foge, foge - e sinto que foge inutilmente!

O silêncio e a estrada ensopada, com dois reflexos
[intermináveis...

Fumo até quase não sentir mais que a brasa e a cinza em
[minha boca.
O fumo faz mal aos meus pulmões comidos pelas algas.
O fumo é amargo e abjeto. Fumo abençoado, que és
[amargo e abjeto!

Uma pequenina aranha urde no peitoril da janela
[a teiazinha levíssima.

Tenho vontade de beijar esta aranhazinha...

No entanto em cada charuto que acendo cuido
[encontrar o gosto que faz esquecer...

Os meus retratos... Os meus livros... O meu
[crucifixo de marfim...
E a noite...

Petrópolis, 1921

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