1 de abril de 2009

A MATA

A mata agita-se, revoluteia, contorce-se toda e sacode!
A mata hoje tem alguma coisa para dizer.
E ulula, e contorce-se toda, como a atriz de uma
[pantomima trágica.

Cada galho rebelado
Inculca a mesma perdida ânsia.
Todos eles sabem o mesmo segredo pânico.
Ou então - é que pedem desesperadamente
[a mesma instante coisa.

Que saberá a mata? Que pedirá a mata?
Pedirá água?
Mas a água despenhou-se há pouco, fustigando-a,
[escorraçando-a, saciando-a como aos alarves.
Pedirá o fogo para a purificação das necroses milenárias?

Ou não pede nada, e quer falar e não pode?
Terá surpreendido o segredo da terra pelos ouvidos
[finíssimos das suas raízes?
A mata agita-se, revoluteia, contorce-se toa e sacode-se!
A mata está hoje como uma multidão em delírio coletivo.

Só uma touça de bambus, à parte,
Balouça levemente... levemente... levemente...
E parecer sorrir do delírio geral.

Petrópolis, 1921

2 comentários:

Anônimo disse...

Delicada alma sua, gostando do Manuel Bandeira. Não quero contrariar, quero só ver raiar o sol da verdade, e dizer que o verso inicial d'A MATA é assim, e não como está no seu blog: "A mata agita-se, revoluteia, contorce-se toda e sacode-se!". Terno abraço.

Nei kS disse...

ops, ja ja conserto.

Abraços!