24 de março de 2009

RIMANCETE

À dona de seu encanto,
à bem-amada pudica,
Por quem se desvela tanto,
Por quem tanto se dedica,
Olhos lavados em pranto,
O seu amante suplica:

O que me darás, dozela,
Por preço do meu amor?
- Dou-te os meus olhos (disse ela),
Os meus olhos sem senhor...
- Ai não me fales assim!
Que uma esperança tão bela
Nunca será para mim!
O que medarás, donzela,
Por preço do meu amor?
- Dou-te meus lábios (disse ela),
Os meus lábios sem senhor...
- Ai não me enganes assim,
Sonho meu! Coisa tão bela
Nunca será para mim!
O que me dará, donzela,
Por preço de meu amor?
- Dou te as minhas mãos (disse ela),
As minhas mãos sem senhor
- Não me escarneças assim!
Bem sei que prenda tão bela
Nunca será para mim!
O que me darás, donzela,
Por preço de meu amor?
- Dou-te os meus peitos (disse ela),
Os meus peitos sem senhor...
- Não me tortures assim!
Mentes! Dádiva tão bela
Nunca será para mim!
O que me darás, donzela,
Por preço de meu amor?
- Minha rosa e minha vida...
Que por perdê-la perdida,
Me desfaleço de dor...
- Não me enlouqueças assim,
Vida minha! Flor tão bela
Nunca será para mim!
O que me darás, donzela?...
- Deixas-me triste e sombria,
Cismo... Não atino o quê...
Dava-te quando podia...
Que queres mais que te dê?

Responde o moço destarte:
- Teu pensamento quero eu!
- Isso não... não posso dar-te...
Que há muito tempo ele é teu...

2 comentários:

neto disse...

lindo, quanta beleza em forma de palavras que formam imagens, que formam...ah, é lindo!

Luciana Viter disse...

Também é meu poeta favorito! Parabéns pelo blog!