22 de março de 2009

PIERRETTE

O relento hiprestesia
O ritmo tardo de meu sangue.
Sinto correr-me a espinha lange
Um calefrio de histeria...

Femem ondinas nos repuxos
Das fontes. Faunos aparecem.
E salamandras desfalecem
Nas sarças, nos braços dos bruxos.

Corro à floresta: entre miríades
De vaga-lumes, junto aos troncos,
Gênios caprípedes e broncos
Estupram virgens hamadríades.

Ergo olhos súplices: e vejo,
Ante as minhas pupilas tontas,
No sete-estrelo as sete pontas
De sete espadas do desejo.

O sexo obsidente alucina
A minha índole surpresa:
As imagens da natureza
São um delírio da morfina.

A minha carne complicada
Espreita, em voluptuoso ardil,
alguém que tenha a alma sutil,
Decadente, degenerada!

E a lua verte como âmbula
O filtro erótico que assombra...
Vem, meu Pierrot, ó minha sombra
Cocainômana e noctâmbula!...

Nenhum comentário: