14 de março de 2009

O SUAVE MILAGRE

Quando cheguei, a tua casa sossegada,
Tua casa colonial de telhas côncavas,
Tinha o aspecto infeliz de casa abandonada.

Tinha o ar de sofrer, numa funda saudade,
A dor fina e sem remissão da tua ausência,
Da tua adolescente e clara mocidade.

Não havia uma flor nas roseiras desertas,
E esse riso estival dos púrpuros gerânios
Na treva interior das janelas abertas.

A casa, hoje toda alegre hospitaleira,
Era uma capelinha a que uma mão sacrílega
Houvesse arrebatado a santa padroeira.

Mas a santa voltou na graça do milagre
E por influição de seu gesto silente
Abriram rosas, e na graça do milagre
O jardim refloriu miraculosamente.

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