24 de março de 2009

O SILÊNCIO

Na sombra cúmplice do quarto,
Ao contacto das minhas mãos lentas,
A substância da tua carne
Era a mesma que a do silêncio.

Do silêncio musical, cheio
De sentido místico e grave,
Ferindo a alma de um enleio
Mortalmente agudo e suave.

Ah, tão suave e tão agudo!
Parecia que a morte vinha...
Era o silêncio que diz tudo
O que a intuição mal adivinha.

É o silêncio da tua carne.
Da tua carne de âmbar, nua,
Quase a espiritualizar-se
Na aspiração de mais ternura.

2 comentários:

Rodrigo Tomé disse...

Comecei a ler a sério Manuel Bandeira com este poema. Muito bem feito.

Obrigado.

Matheus-Poeta disse...

amo amo amo , lindo , nada a dizer , apenas magnífico s2 ... me visitem e me divulguem . umpoetadavida.blogspot.com ... bjs e até mais =)