15 de março de 2009

DESESPERANÇA

Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo...

O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.

Assm deverá ser a natureza um dia,
Quando a vida acabar e astro apagado, a Terra
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.

O demônio sutil das nevroses enterra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...

Minha respiração se faz com um gemido.
Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a desompreendo e não lhe acho sentido.

Por onde alongue o meu olhar de moribundo,
Tudo aos meus olhos toma um doloroso aspecto:
E erro assim repelido o estrangeiro no mundo.

Vejo nele a feição fria de um desafeto.
Temo a monotonia e apreendo a mudança.
Sinto que a minha vida é sem fim, sem objeto...

Ah, como dói viver quando falta a esperança!

Teresópolis, 1912

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