31 de março de 2009

De 1886 a 1968 - Uma estrela da vida inteira BIOGRAFIA DE MANUEL BANDEIRA

1886
• Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasce no Recife, na Rua da Ventura, atualmente designada com o nome de Rua Joaquim Nabuco, filho do Dr. Manuel Carneiro de Sousa Bandeira, engenheiro, e D. Francelina Ribeiro de Sousa Bandeira.

1890
• A família do poeta deixa o Recife e vem residir no Rio de Janeiro, depois em Santos, São Paulo e novamente no Rio.

1892
• Volta com a família para Pernambuco. Freqüenta o colégio das irmãs Barros Barreto, na Rua da Soledade e, depois, como semi-interno, o de Virgilinio Marques Carneiro Leão, na Rua da Matriz.

1896
• A família muda-se de Recife para o Rio, indo residir na Travessa Piauí, depois na Rua Senador Furtado, depois em Laranjeiras. Durante esse período cursa o Externato do Ginásio Nacional (hoje Colégio Pedro II). No ginásio tem como colegas, entre outros, Sousa da Silveira, Antenor Nascentes e Lucilo Bueno.
• O professor que mais o impressiona, e com quem os alunos conversam sobre Literatura depois das aulas de História Universal e do Brasil, é João Ribeiro. ("Esse abriu-me os olhos para muitas coisas".)
• O poeta publica o seu primeiro poema, um soneto em alexandrinos que sai na primeira página do Correio da Manhã.

1903
• Parte para São Paulo e se matricula na Escola Politécnica.

1908
• Prepara-se para ser arquiteto, profissão a que tomou gosto por influência do pai. Emprega-se nos escritórios da Estrada de Ferro Sorocabana e toma aulas de desenho de ornato, à noite, no Liceu de Artes e Ofícios. Adoece do pulmão no fim do ano letivo (1904) e abandona os estudos.
• Volta ao Rio e inicia uma longa peregrinação em busca de climas serranos: Campanha, Teresópolis, Maranguape, Uruquê, Quixeramobim.

1913
• Embarca em junho para a Europa a fim de tratar-se no sanatório de Clavadel, perto de Davos-Platz (lugar indicado por João Luso). Reaprende o alemão que estudara no ginásio. Faz amizade com Paul Eugène Grindel (tornado famoso mais tarde com o nome de Paul Éluard), que também se tratava no mesmo sanatório. Torna-se amigo também de outro poeta e companheiro de sanatório, o húngaro Charles Picker, que não resistiu à doença.

1914
• Sobrevinda a Grande Guerra, volta ao Brasil. No Rio, vai residir na Rua (hoje avenida) Nossa Senhora de Copacabana e depois na Rua Goulart, no Leme.

1916
• Falece a mãe do poeta.

1917
• Publica seu primeiro livro A Cinza das Horas - impresso nas oficinas do Jornal do Commercio. Edição de 200 exemplares, custeada pelo autor (300 mil-réis).

1918
• Falece Maria Cândida de Sousa Bandeira, irmã do poeta, a qual fora sua enfermeira desde 1904.

1919
• Publicação do Carnaval (edição do autor).

1920
• Falece o Dr. Manuel Carneiro de Sousa Bandeira. O poeta, que morava na Rua do Triunfo, em Paula Matos, muda-se para a Rua do Curvelo, nº 53 (hoje Dias de Barros), rua onde já morava Ribeiro Couto.
• Na Rua do Curvelo, onde residiu treze anos, escreveu três livros (O Ritmo Dissoluto, Libertinagem, Crônicas da Província do Brasil e muitos poemas de Estrela da manhã).

1921
• Conhece Mário de Andrade, com quem já se correspondia, no Rio.

1922
• Não quis participar da Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo. Mas nesse mesmo ano vai a São Paulo e faz novos conhecimentos: Paulo Prado, Couto de Barros, Tácito de Almeida, Menotti dei Picchia, Luis Aranha, Rubem Borba de Morais, Yan de Almeida Prado.
• Data também dessa época a sua amizade de contato então quase diário, com Jaime Ovale, Rodrigo Meio Franco de Andrade, Dante Milano, Osvaldo Costa, Sergio Buarque de Holanda, Prudente de Morais, neto. Com os amigos, costumava jantar no Restaurante Reis, onde comia (bem baratinho) o bife à moda da casa.
• Falece seu irmão Antônio Ribeiro de Sousa Bandeira.

1924
• Publicação do volume Poesias (A Cinza das Horas, Carnaval, O Ritmo Dissoluto), editado pela Revista de Língua Portuguesa, dirigida por Laudelino Freire, e por interferência de Goulart de Andrade.

1925
• Colabora com artigos para o "Mês Modernista", instituído no jornal A Noite. Só o fez depois da insistência epistolar de Mário de Andrade. Ganha, assim, o seu primeiro dinheiro com literatura: 50 mil-réis por semana.
• Faz crítica musical para a revista A idéia ilustrada, dirigida por Luís Aníbal Falcão. É correspondente da Ariel, São Paulo, também sobre a música.

1927
• Viagem ao Norte do Brasil até Belém, parando em Salvador, Recife, Paraíba, Fortaleza e São Luís.

1928
• Viagem ao Recife como fiscal de bancas examinadoras de preparatórios.

1931
• Escreve crônicas semanais para o Diário Nacional, de São Paulo.
• Publicação de Libertinagem (poemas de 1924 a 1930), edição de 500 exemplares, custeada pelo poeta.
• Escreve crítica de cinema para o Diário da Noite, do Rio.
• Escreve crônicas semanais para A Província, do Recife, dirigida por Gilberto Freire.

1933
• Abandona a Rua do Curvelo (casa em que depois moraria Raquel de Queiroz) e muda-se para a Rua Morais e Vale, na Lapa.

1935
• É nomeado pelo Ministro Capanema inspetor de ensino secundário.

1936
• Calorosamente homenageado em seu cinqüentenário. Os amigos fazem editar (201 exemplares) o Homenagem a Manuel Bandeira, com poemas, estudos críticos, comentários, impressões sobre o poeta. Trinta e três entre os mais importantes escritores modernos do Brasil colaboram nesse livro.
• Com o papel presenteado por Luís Camilo de Oliveira Neto é feita impressão de Estrela da manhã (47 exemplares apenas para subscritores - o papel não deu para os 50 anunciados no livro).
• A Civilização Brasileira edita o livro Crônicas da Província do Brasil escritas para A Província, do Recife, o Diário Nacional, de São Paulo, e O Jornal, do Rio.

1937
• Selecionadas pelo poeta, que também ouviu conselhos de Mário de Andrade, os Irmãos Pongetti publicam Poesias escolhidas, custeada a edição pelo autor.
• Recebe o prêmio da Sociedade Filipe d'Oliveira, por conjunto de obra (5 mil cruzeiros), o que lhe dá o primeiro lucro material com a poesia.

1938
• Nomeado pelo Ministro Gustavo Capanema professor de Literatura do Colégio Pedro II e membro do Conselho Consultivo do Departamento do Património Histórico e Artístico Nacional.

1940
• Com o falecimento de Luís Guimarães Filho, recebe a visita de Ribeiro Couto, Múcio Leão e Cassiano Ricardo, que o convencem a candidatar-se à vaga da Academia Brasileira de Letras. Eleito em agosto, no primeiro escrutínio, com 21 votos. Toma posse da cadeira [nº 24, patrono Júlio Ribeiro], em 30 de novembro, sendo saudado por Ribeiro Couto.
• Primeira publicação das Poesias completas, edição do autor, com acréscimo de uma parte de novos poemas, que o poeta chamou Lira dos cinqüent'Anos.
• Publica em separata da Revista do Brasil, A autoria das cartas chilenas, e as Noções de história das literaturas.

1941
• Começa a fazer critica de artes plásticas n'A Manhã, do Rio, onde publica, ao mesmo tempo, crônicas.

1942
• É nomeado membro da Sociedade Filipe d'Oliveira. Muda-se para o Edifício Maximus, na Praia do Flamengo.

1943
• Deixa o Pedro II e é nomeado professor de Literaturas Hispano-americanas, na Faculdade Nacional de Filosofia.

1944
• Muda-se para o Edifício São Miguel, na Avenida Beira Mar, 406, apt. 409.
• Nova edição das Poesias completas, da Americ-Edit.

1945
• A Editora Fondo de Cultura Económica do México, publica Panorama de la Poesía Brasileña.
• Publica Poemas traduzidos com ilustrações de Guignard.

1946
• Recebe o prêmio de poesia do IBEC (50 mil cruzeiros), por conjunto de obra.
• Saúda na Academia Brasileira de Letras, o novo acadêmico Peregrino Júnior.
• Publica Apresentação da poesia brasileira e Antologia dos poetas brasileiros bissextos contemporâneos.

1948
• Nova edição de Poesias completas com acréscimo do livro Belo Belo, e nova edição de Poesias Escolhidas.
• Nova edição aumentada de Poemas Traduzidos.

1949
• Publica Literatura Hispano-americana.
• Primeira edição de Mafuá do malungo (Versos de Circunstância), impressa em Barcelona por João Cabral de Melo Neto.

1952
• Publica Gonçalves Dias (biografia).
• Publica Opus 10.

1953
• Muda-se para o apartamento nº 806, do mesmo Edifício São Miguel.

1954
• Publica Itinerário de Pasárgada (memórias) e De Poetas e de Poesia (crítica).

1955
• Publica 50 Poemas escolhidos pelo autor.
• Inicia a 1º de junho sua colaboração de cronista no Jornal do Brasil, do Rio, e Folha da Manhã, de São Paulo.

1956
• Escreve para a Enciclopédia Delta Larousse um estudo sobre a "Versificação em Língua Portuguesa."
• Nova edição de Poemas traduzidos.
• Por motivo da idade é compulsoriamente aposentado como professor de literaturas Hispano-americanas, na Faculdade Nacional de Filosofia.
• A Editora Alvorada lança o livro de crônicas Flauta de Papel.
• Embarca no mês de julho para a Europa em viagem de recreio. Visita a Holanda, Londres e Paris. Regressa ao Rio em novembro.

1957-1961
• Escreve crônicas bissemanais para o Jornal do Brasil, do Rio, e Folha de São Paulo.
• Escreve o livro Gonçalves Dias, da coleção Nossos Clássicos, da Editora Agir.
• Aparece a edição Aguilar de suas obras completas em dois volumes - Poesia e prosa - compreendendo a lírica, os versos de circunstância, traduções de poemas estrangeiros e as peças teatrais Auto do Divino Narciso, de Juana Inés de la Cruz, Maria Stuart, de Schiller, crônicas, críticas, ensaios, o Guia de Ouro Preto e Epistolário.
• A Sociedade dos Cem Bibliófilos edita Pasárgada, de poemas escolhidos e ilustrados por Aldemir Martins.
• A editora Dinamene, da Bahia, publica em edição de luxo a Estrela da tarde e uma seleção de poemas de amor sob o título Alumbramentos.
• A Editora do Autor publica a Antologia poética de Manuel Bandeira.
• Cessa a colaboração para o Jornal do Brasil e a Folha de São Paulo.

1961-1963
• Escreve crônicas semanais para o programa Quadrante, da Rádio Ministério da Educação, algumas publicadas depois no volume Quadrante, editado pela Editora do Autor.
• Escreve para a Editora El Ateneo biografias de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Castro Alves.
• A Editora das Américas, de São Paulo, edita Poesia e Vida de Gonçalves Dias.

1963-1964
• Escreve para o programa Vozes da Cidade da Rádio Roquette Pinto crônicas bissemanais, umas para o programa Vozes da Cidade, outras para o programa por ele próprio lido sob o título Grandes Poetas do Brasil. Algumas das crônicas do programa Vozes da Cidade foram incluídas no volume do mesmo nome editado pela Distribuidora Record.

1966
• A Editora José Olympio lança o volume Estrela da Vida Inteira (obras poéticas completas menos as traduções das peças teatrais).
• Com Carlos Drummond de Andrade organiza o livro Rio de Janeiro em Prosa & Verso, também edição da José Olympio.
• Completa 80 anos no dia 1º de abril. Em comemoração da grande data, a Editora José Olympio faz realizar, em sua sede, uma festa que conta com a participação de mais de mil pessoas. Ainda homenageando o poeta, a Editora José Olympio lança Estrela da Vida Inteira (Poesias Completas e Traduções Poéticas) e Andorinha, Andorinha (livro de prosa organizado por Carlos Drummond de Andrade).

1968
• Manuel Bandeira falece no Hospital Samaritano, em Botafogo, às 12 horas e 50 minutos, do dia 13 de outubro, sendo sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista.

* Dados extraídos de "Cronologia da Vida e da Obra", de Francisco de Assis Barbosa, em Bandeira, Manuel. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, 1986.

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