22 de março de 2009

A CEIA

Junto à púrpura os tons mais ricos esmaecem.
Chispa ardente lascívia em cada rosto glabro.
Luzem anéis. À luz crua do candelabro
Finda a ceia. O perfume e os vinhos entontecem.

César medita e trama o desígnio macabro.
Quando em volúpia aos mais os olhos enlanguescem,
Os seus, frios, fitando o irmão, lançá-lo, tecem,
Horas depois, do Tibre ao fundo volutabro.

Três gregas de alvos pés, pubescentes e esguias,
Torcendo os corpos nus, donde acre aroma escapa,
Dançam meneando véus, flexíveis como enguias.

Enquanto, a acompanhar os lascivos trejeitos,
Entre os seios liriais de uma matrona, o Papa
Deixa cair, rindo, um punhado de confeitos.

1907

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