11 de março de 2009

CANTILENA

"O solitude! O pauvreté!"

O céu parece de algodão.
O dia morre. Choveu tanto!
As minhas pálpebras estão
Como embrumadas pelo pranto.

Sinto-o descer devagarinho,
Cheio de mágoa e mansidão.
A minha testa quer carinho,
E pede afago à minha mão.

Debalde o rio docemente
Canta a monótona canção:
Minh'alma é um menino doente
Que a ama aclaneta mas em vão.

A névoa baixa. A obscuridade
Cresce. Também no coração
Pesada névoa de saudade
Cai. Ó pobreza! Ó solidão!

Um comentário:

blowsenn disse...

Que a alma acalenta mas em vão.