20 de março de 2009

ARLEQUINADA

Que idade tens, Colombina?
Será a idade que pareces?
Tivesses a que tivesses!
Tu para mim és menina.

Que exíguo o teu talhe! E penso:
Cambraia pouca precisa:
Pode ser toda num lenço
Cortada a tua camisa.

Teus seios têm treze anos.
Dão os dois uma mancheia...
E essa inocência incendeia,
Faz cinza de desenganos...

O teu pequenino queixo
- Símbolo do teu capricho -
É dele que mais me queixo,
Que por ele assim me espicho!

Tua cabeleira rara
Também ela é de criança:
Dará uma escassa trança,
Onde mal me estrangulara!

E que direi do franzino,
Do breve pé de menina?...
Seria o mais pequenino
No jogo da pampolina...

Infantil é o teu sorriso.
Na cabeça, essa é de vento:
Não sabe o que é pensamento
E jamais terá juízo...

Crês tu que os recém-nascidos
São achados entre as couves?
Masvejo que os teus ouvidos
Ardem... Finges que não ouves...

Perdão, perdão, Colombina!
Perdão que me deu na telha
Cantar em medida velha
Teus encantos de menina...

Juiz de Fora, 1918

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