24 de março de 2009

ALUMBRAMENTO

Eu vi os céus! Eu vi os céus!
Oh, essa angélica brancura
Sem tristes pejos e sem véus!

Nem uma nuvem de amargura
Vem a alma desassossegar.
E sinto-a bela... e sinto-a pura...

Eu vi nevar! Eu vi nevar!
Oh, cristalizações da bruma
A amortalhar, a cintilar!

Eu vi o mar! Lírios de espuma
Vinham desabrochar à flor
Da água que o vento desapruma...

Eu vi a estrela do pastor...
Vi a licorne alvinitente!
Vi... vi o rastro do Senhor!...

E vi a Via-Láctea aedente...
Vi comunhões... capelas... véus...
Súbito... alucinadamente...

Vi carros triufais... troféus...
Pérolas grandes como a lua...
Eu vi os céus! Eu vi os céus!

- Eu vi-a nua... toda nua!

Clavedel, 1913

3 comentários:

marina disse...

O difícil é escolher o predileto,
mas com certeza Bandeira está entre eles!
E por acaso, eu adoro essa poesia e acabei de roubá-la para postar em meu blog.
se gostar de um pouco de arte, marinabrugger.blogspot.com

obrigada, afinal.

Francisco Nery disse...

eu sou apaixonado por este poema...
ele escreveu oq eu sinto mas nao consegui escrever...

Pedaço de mim disse...

Vim procurar este poema depois de um e-mail de um amigo, que gosta tanto de se alumbrar quanto eu e Bandeira. Lindo poema!