6 de outubro de 2007

A ARANHA

Não te afastes de mim, temendo a minha sanha
E o meu veneno... Escuta a minha triste história:
Aracne foi meu nome e na trama ilusória
Das rendas florescia a minha graça estranha,

Um dia desafiei Minerva. De tamanha
Ousadia hoje espio a incomparável glória...
Venci a deusa. Então ficou ciumenta da vitória,
Ela não ma perdoou: vingou-se e fez-me aranha!

Eu que era branca e linda, eis-me medonha e escura.
Inspiro horror... Ó tu que espias a urdidura
Da minha teia, atenta ao que meu palpo fia:

Pensa que fui mulher e tive dedos ágeis,
Sob os quais incessante e vária a fantasia
Criava a pala sutil para os teus ombros frágeis....

3 comentários:

tania disse...

Esse poema de Bandeira é um marco na minha história, meu pai costumava recitá-lo. Levei muito tempo para descobrir o autor desse soneto... tempos antigos, ãinda não havia internet para ajudar...
Gostei muito !

Nei kS disse...

Que bom, Tania!

E que pai bacana que recitava poemas!

Abraços!

TheMarcelorscc disse...

Nossa ! Muito Lindo relembra os tempos de Escola! Gostei tanto desse poema que o decorei na época, e nunca mais o esqueci ! Obrigado.