13 de março de 2007

NOTAS PUNKS - 1

Bandeira é meu poeta predileto por mera casualidade e prazer. Há tanta poesia nesse idioma! Qualquer um que passo os olhos me atrai! Mas Bandeira atravessou cinqüenta anos sem deixar cair a pena e sob tal constante ascenção, caiu nas minhas mãos numa dessas tarde de cabulagem de aula, ainda no colégio. Eu li "O Porquinho-da-Índia", publicado na ocasião, num mimeógrafo parco, azul e sem chamariz que estava sobre um dos balcões do Centro Cultural Vergueiro. Reli. Virou uma espécie de carta de navegação para futuros poemas que eu escreveria.
Depois, anos depois, descobri que ele já tinha morrido. E que escrevera alexandrinos como os de antigamente e que participara - indiretamente - do Modernismo de 22.
Escrever. Para ele importava escrever e abraçar as causas que lhe trouxessem a liberdade de tal ação.
E "O Porquinho-da-Índia" também virou minha primeira namorada. Muito mais que os sonetos de amor de Vinicius que a minha geração adorava decorar e ler uns para os outros, esse poema me fez suspirar por tais belezas que minha cuca de moleque nem imaginava que pudessem existir.
"O Porquinho-da-Índia" está publicado no Arte Mútua. Aqui será publicado na ordem das páginas do livro cujo prazer, além de ser a obra completa do Cara, está em ordem cronológica.
Estamos, nesse momento, com 20 e poucos anos, tuberculosos e cheios de poesias pra dar.

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