15 de março de 2007

INSCRIÇÃO

Aqui, sob esta pedra, onde o orvalho roreja,
Repousa, embalsamado em óleos vegetais,
O alvo corpo de quem, como uma ave que adeja,
Dançava, descuidosa, e hoje não dança mais...

Quem não a viu é bem provável que não veja
Outro conjunto igual de partes naturais.
Os véus tinham-lhe ciúme. Outras, tinham-lhe inveja.
E ao fitá-la os varões tinham pasmos sensuais.

A morte a surpreendeu um dia que sonhava,
Ao pôr do sol, desceu entre sombras fiéis
À terra, sobre a qual tão de leve pesava...

Eram as suas mãos mais lindas sem anéis...
Tinha os olhos azuis.... Era loura e dançava....
Seu destino foi curto e bom...

- Não a choreis.

Um comentário:

Sandra Amorim disse...

Já li esse poema uma boa dezena de vezes e sempre me emociono ao extremo.
O poeta tinha uma irmã.
Eu tinha um irmão.
Eu amava demais o meu irmão querido que se foi tão cedo.
Ele também era como uma ave que adeja, dançava descuidoso e hoje não dança mais, não canta mais, não mais sorri...
Ele era louro, alto, lindo, alvo e tinha belíssimos olhos azuis.
Embora o destino dele tenha sido curto e bom, meu Deus, não posso parar de chorá-lo.
Sinto muita saudade.